Com trabalho desenvolvido desde 1989, coordenado pelo Prof. Dr. Ivan Miziara e chefiado pelo Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, a ORL do HC-FMUSP atende a crianças e adultos com HIV positivo em todos os dias da semana.
Postado em 29/09/2010
Com um trabalho que vem sendo desenvolvido há cerca de vinte e um anos, sob coordenação do Prof. Dr. Ivan Miziara, a disciplina de Otorrinolaringologia do HC-FMUSP cuida de crianças e adultos soropositivos, acompanhando lesões orais que podem acontecer por causa da doença. "É um tratamento e acompanhamento que fazemos semanalmente e, há menos de um ano, temos observado uma situação interessante - o número de crianças soropositivas com contaminação radical caiu drasticamente", diz Prof. Dr. Ivan Miziara, o responsável por esse trabalho.
Segundo ele, esse fato aconteceu devido à utilização de AZT na gestação. "Gestantes soropositivas, atualmente, recebem AZT durante os nove meses de gestação e o bebê nasce sem HIV ou negativa em seguida", explica o médico na sala do consultório da PAMB, no HC.
Com duas médicas auxiliares - Dra. Kátia Cristina Costa e Dra. Patricia Oyama - o grupo de ORL recebe e cuida de crianças e adultos com patologias decorrentes do HIV, como afta, papiloma e candídíase oral, além de todas as afecções otorrinolaringológicas que o paciente portador de HIV tenha e que sejam associadas com a infecção pelo vírus - sinusite, otite, tumores malignos, entre outros -, tratando e acompanhando cada caso. "Essas afecções aparecem quando o paciente tem alteração da carga viral e, mesmo acompanhando cada caso trimestralmente, se aparecer alguma lesão oral, o paciente é recebido - e atendido - imediatamente", explica Dra. Kátia.
Nas consultas de rotina, os médicos observam se os pacientes estão ouvindo bem, indo bem na escola e, caso isso não aconteça, fazem o encaminhamento às fonoaudiólogas. "Atendemos crianças que provém de casas de apoio e do Instituto da Criança e é interessante notar a diferença entre elas e os adultos que fazem parte da nossa rotina hospitalar. Quando é criança, vem com caderno repleto de informações, medicação usada, alimentação, queixas, entre outras. Os adultos não sabem informar quais medicamentos utilizam e, também, não definem de que maneira apareceram às afecções", informa Dra. Kátia.
"O que observamos durante todo esse tempo a importância das casas de apoio em todas as crianças que são cuidadas por eles. Há toda uma parte de integração social, escolar - a grande maioria das crianças estuda em colégios particulares com bolsas de estudo conseguidas pelas instituições -, lazer e até junto à comunidade que pertencem, um trabalho de muita relevância e digno de apoio de todos nós. O nosso trabalho só reforça esse cuidado primoroso que todas recebem. Atualmente, limitamos os atendimentos para 10 adultos e 10 crianças por dia, porque as consultas são mais demoradas e exigem mais tempo dos médicos", diz o professor.
E finaliza: "Nosso trabalho começou na época do Prof. Aroldo e hoje recebe completo apoio do Prof. Ricardo Ferreira Bento. E nossas pesquisas são publicadas em várias partes do mundo".